28 de janeiro de 2010

R.I.P. Salinger

Poucos autores têm tanto prestígio entre o pessoal de blogues, particularmente aqui no Apostos, como Jerome Salinger. Minha impressão é a de um escritor que atropela gostos, manias ou critérios na maneira como agregava admiradores pela internet.

Salinger foi, pela ordem, mal lido — meu pai contou que, já no tempo dele, muita gente dizia ter lido O Apanhador… sem nem conhecer a orelha –, mal compreendido — o uso da linguagem coloquial, próxima ao registro falado, associava-o incorretamente a beatinks; a abordagem do ponto de vista da adolescência e a ótica zen eram desconhecidos e exóticos, na época da publicação –, mal criticado — é generalizadamente associado a coisas como “juventude transviada” e “contestação aos valores pequenos burgueses”, sobre as quais provavelmente nutria horror –, mal editado — por própria exigência, seus livros não podiam ter nada na capa além do título e não carregavam foto do autor na contra-capa — e, finalmente, mal compreendido: não raro, suas excentricidades pessoais tomavam a cena da sua literatura; na falta de mais livros, a impressão é que os jornalistas se satisfaziam publicando fofocas sobre o autor.

Dizem que deixou material inédito, coisa de 15 livros. Onde deve dizer tudo o que silenciou por 40 anos.

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