Finalmente, descoberta a residência oficial do Fantasma, a sinistra Caverna da Caveira.

A Caverna da Caveira
Finalmente, descoberta a residência oficial do Fantasma, a sinistra Caverna da Caveira.

A Caverna da Caveira
Um dos choques que tive ao chegar na Austrália foi constatar que todo mundo usava skinny trousers, calças com aquela modelagem ultra-justa no corpo. Todo mundo, bem entendido, homens e mulheres magros ou minimamente em forma. Os gordos, homens, usavam calças de moleton; as mulheres, tigths — o que no Brasil eu sempre ouvi chamarem de legging.
Cinco anos depois, comento com minha mãe que vi numa loja de departamentos na Inglaterra um aviso semi-explícito recomendando cautela aos cheinhos quando comprar slim jeans, e olha que nem era skinny, era apenas slim. Comento com minha mãe e ela me diz que, no Brasil, até gordo está usando.
Na época do Rock in Rio, esse ano, meu pai me conta: outro dia apareceu um cara aí na tv cantando, eu nunca ouvi falar dele nem de nenhuma música dele, mas ele cantou e umas cem mil pessoas acompanharam direitinho.
Adoro conversar com meus pais.
Todo ano Heidi Klum e Seal dão uma festa de Halloween que, a julgar pelas fantasias, é de arromba. Dela e dele.
Aqui, como feiticeiro de vodu e deusa hindu.
Aqui, como policial e bruxa.
Aqui, como Eva e a maçã (dificilmente superável).
Aqui, como Fantasma da Ópera e Lady Godiva.
Aqui, casal de corvos (?)
Aqui, como Transformer e Homem de Lata
Lisandro encontrou as homenagens do Recruta Zero e do Hagar para os dez anos do 11 de setembro.
E dois momentos surreais no trabalho semana passada. Daqueles que você fica estupefacto demais para conseguir cair na gargalhada, que seria a reação mais correta.
Momento um. Toda sexta-feira de manhã, a turma sai para fazer um lanche das 9h30. Café manhã inglês, leia-se torrada com linguiça frita ou bacon ou os dois, ovo estrelado por cima. Dessa vez, chamaram o paquistanês — o que não teria nada demais, se ele não fosse muçulmano. De jejum. Em pleno Ramadan.
Momento dois. Discussão interna sobre um documento que, na última hora, ainda tem mais erros de revisão do que deveria — mesmo que erros menores, de digitação e consistência que não interferem no conteúdo final. O mais ponderado sugere ao mais crítico que, mesmo que mais atenção fosse gasta, o resultado não seria muito melhor:
– Você não concorda que, mesmo que a gente tivesse muuuuuuito mais tempo para revisar, ainda assim sobraria algum errinho no documento final?
– Não.
Pano rápido.
Pode soar pedante voltar depois de meses de ausência para isso, mas eu simplesmente não resisto a organizar esse tipo de lista:
( x ) Carnaval do Rio de Janeiro – 2001
( x ) Carnaval de Olinda – 2010
( x ) Carnaval de Porto Seguro – 2004
( x ) Carnaval de Notting Hill – 2011
( ) Mardi Gras de New Orleans
( ) Carnaval de Veneza
Estou esquecendo de algum outro grande carnaval?
Perdi totalmente a London Fashion Week. Perdi o último Sketchmob.
Mas não perdi o concurso oficial de esculturas no gelo nem o último Science Museum lates, esse realmente valeu a pena.
Hoje é dia de se sentir traidor. Dia de passar por maluco. Dia de gritar sozinho, quando deveria ter gritado junto com a torcida do Arsenal (que, aliás, perdeu a final). Dia de procurar vídeos da Urubuzada no YouTube. Dia de cumprir ritual, vestir a camisa, cantar sozinho diante da telinha, fingindo — querendo — estar lá. Dia de gritar Negueba, como já foi dia de gritar Obina, ou Bujica. Dia de se sentir a pior das criaturas, por não estar perto na hora da decisão. Dia de encerrar batizados mais cedo, para dar tempo de comparecer ao jogo. Dia de final.
Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que a vontade é de criar uma seção chamada perdi para esse blog. Nem falo das premiéres onde só se entra com convite, dos eventos cujos ingresso esgotam 9 meses antes ou do que é ridiculamente caro ou para platéias pequenas; falo do que é só chegar na hora e entrar, mas nem assim.
Do torneio da esculturas no gelo eu cheguei a pegar a comemoração dos africanos, talvez surpreendentes vencedores — eu lá sei qual país tem tradição de escultura no gelo? — e até tirei fotos, mas em compensação, perdi o dia de andar sem calça no metrô (e olha que não estava frio).
No apagar das luzes, consegui tempo para varejar a biblioteca do avô, em franco e aberto desmonte. Não encontrei os volumes comemorativos do aniversário da cidade do Rio, organizados por Bandeira e Drummond, em 1965.
Mas saí de lá com a raríssima Enciclopédia do Cartum, do Herman Lima, que para quem não sabe está sendo atualizada e totalmente revista a sair em três volumes gigantes, além de edições originais de A Pedra do Reino e aquele que o Superior Desconhecido considerava o pior título da literatura brasileira: No Urubuquaquá, No pinhém.
Tudo com dedicatória.