Agora, as fotos:
Para começar, uma imagem contextualizada da estação de trens Flinders, um dos marcos da cidade, vista a partir da Elizabeth avenue, no coração do centro da cidade. Se você chega de trem em Melbourne, é bem provável que desembarque nela. Os fios não são da fiação da rede elétrica suspensa, são dos bondes que infestam aquele trecho da cidade. Matthew Flinders foi um navegador inglês que concluiu o mapeamento da costa da Austrália.
Bom nome para uma loja de queijos e frios no Mercado de Melbourne: O Epicureano. Ótimo lugar para comprar especiarias, carne e peixes ou fazer lanches.

Public baths
Banhos públicos de Melbourne. Um dos motivos para se visitar a cidade é a arquitetura.
San Francisco leva a fama, mas há diversas cidades no mundo traçadas por aprazíveis bondes, como Bruxelas ou Melbourne. Esse é um dos modelos mais novos.
Caminhando pelo centro da cidade, depara-se com prédios de decoração arrojada, sem exageros.

Biblioteca pública La Trobe
Colunas dóricas na fachada central da Biblioteca pública Latrobe. Notar a grama mal cuidada: muita gente leva o take away para almoçar ali diariamente. La Trobe foi um dos responsáveis pela cidade que Melbourne é hoje, ao assinar uma lei determinando uma área verde mínima para cada superfície construída, o que foi fundamental para que se tornasse uma das cidades com mais parques no mundo.

Por essa e por outras, foi merecidamente eternizado em pedra.
Caminhando no sentido de subida da Elizabeth avenue, as ruas vão ficando mais arborizadas e as construções, mais antigas, como essa igreja do século XIX.

Orgulho nacional
Um dos principais pontos turísticos da cidade é a antiga prisão, que encarcerou notórios bushrangers e foras-da-lei desde os tempos da corrida do ouro.

Ambiente acolhedor, serviço de primeira
Vista interna do pavilhão principal da prisão de Melbourne. Algumas celas foram reformadas para mostrar como se deu a evolução do sistema prisional: no começo, as celas eram tão estreitas que, depois da reforma, passaram a abrigar apenas um detento no espaço de duas celas originais. Lugarzinho desagradável.

Frenologia, kem kurt
Ned Kelly foi certamente o bandido mais famoso a ocupar a prisão de Melbourne. Dizem os chineses no museu da imigração chinesa que ele desenvolveu a idéia para uma armadura à prova de balas inspirado nas roupas de guerra orientais. Seja como for, foi essa armadura que garantiu sua sobrevivência aos tiros dos policiais, que tiveram que mirar nas pernas para abaterem-no. Com 32 furinhos, foi levado para o hospital da prisão, onde se recuperou, foi julgado e finalmente enforcado. Após a morte, como praxe, foi feita sua máscara funerária, pois estava em voga uma ciência segundo a qual malfeitores teriam certas características físicas precisas, a frenologia. Mas seu castigo mesmo foi ter sido interpretado por Mick Jagger em filme.

A forca na qual balançou o corpo de Kelly ainda pode ser vista (e fotografada) na prisão de Melbourne.

Chocolate e chumbo
O horripilante elmo de Ned Kelly serve para vender balas — inocentes balas de chocolate, na loja de souvenirs da prisão. Também há chaveiros com miniaturas do elmo etc.

Parece Barcelona, mas a mistura entre a arquitetura delirante e a sobriedade da tradição fica no centro de Melbourne.

Não tem errada
Se só puder visitar um museu em Melbourne, nem titubeie: vá direto para a National Gallery of Victoria, em Melbourne: além de uma coleção de arte européia decente, a partir da Idade Média, a galeria tem uma bela coleção de arte oriental logo ao lado, um dos raros museus no mundo onde você pode comparar arte do ocidente e do oriente num piscar de olhos. Quando visitei, a mostra temporária era de cartazes de filmes de Bollywood.
Galerie du Roy, em Bruxelas? Não, é a Royal Arcade de Melbourne. Onde se encontram chocolates igualmente bons.

Detalhe do fundo da Royal Arcade. Atenção ao piso em xadrez e às estátuas dos guerreiros assírios (?), do lado do relógio.

Pista de pouso de nave espacial
Recentemente um portal de notícias australiano elencou os prédios mais feios do mundo. Não se fez de rogado e meteu na lista a Federation Square, praça onde as comemorações dos campeonatos de rugby e futebol australiano aconteceriam se a Austrália fosse um país de terceiro mundo e não tivesse pubs. Desconjuntada, preenchida por prédios esquisitos, é um assombro que mantenham aquela aberração pertinho de pontos de orgulho como a National Gallery ou o MCG.

Mais arquitetura

O Teatro Municipal, então recebendo o festival de comédia de Melbourne (o mais importante do país, uma espécie de festival de Edimburgo só de comédia), fica a um pulo da biblioteca La Trobe, com a qual compartilha a linha arquitetônica.

Qualidade de vida
As principal rua de comércio chama-se Bourke street, batizada segundo um dos primeiros manda-chuvas nomeados pelos ingleses para governar a colônia. É onde pode-se encontrar, lado a lado, os principais magazines australianos: David Jones e Myers. Fechada a carros, só transitam bondes e bicicletas por ela.

Parece um dos prédios do Lido, Copacabana posto 2, ou do Leme? É Melbourne, mais precisamente o bairro de Saint Kilda, balneário no começo do século XX, depois decadente e finalmente revitalizado como local boêmio.

Casablanca, Marrocos? É mais um dos banhos públicos de Melbourne, ainda em Saint Kilda.

Fonte de pesadelos sem fim
Ainda em Saint Kilda ficam os mais tradicionais palcos de shows de Melbourne e um parque de diversões — tinha tudo para ser um mafuá decadente que só sobrevive pela localização, mais ou menos como é o pier de Santa Monica, na Califórnia. Mas surpreendentemente, o Luna Park está muito bem conservado e permanece como opção de lazer para crianças. Apesar daquela entrada, que já deve ter despertado calafrios em muito adolescente.

Prova incontestável
Por pouco Melbourne não se chamou Batmania. Um de seus fundadores, nos tempos da corrida do ouro, era conhecido como John Batman e seria homenageado até mudança de planos. Não foi esquecido, como exemplifica essa placa que prova que, se não se pode com uma cidade, ao menos uma avenida a gente traça.